Fim-de-semana Serra da Estrela (23 a 25 de Janeiro)

Este é um relato de um Fim-de-semana Serra da Estrela (23 a 25 de Janeiro) que, atento aos comentários, foi um sucesso. Porque tudo foi programado com tempo…aqui ficam os momentos antes da partida, as histórias dos dois dias de actividades e os comentários dos participantes.

Antes da partida: O Inverno chegou! Esqueçam as praias tropicais, às águas “calientes” de Formentera e de outras maravilhas afins, é tempo de falar de NEVE! Prometido é devido e o plano está posto em prática. Pois bem o plano é partir em grupo para a Serra da Estrela para um fim-de-semana de montanha e de se tudo correr bem, de neve. Mas nem tudo são rosas! 1) Se não houver neve, paciência! Comemos queijo da serra e requeijão com doce de abóbora e aborrecemo-nos uns aos outros. Temos muita experiência; 2) Se houver neve e conseguirmos chegar lá acima, está então previsto o baptismo no ski para os mais afoitos. De manhã aluguer de material e uma sessão de aulas para os esquiadores principiantes (de duas horas). Á tarde, tempo livre para usar e abusar das pistas aplicando, pois bem, os conhecimentos da manhã. Aviso à navegação: às aulas têm início às 10h. Como temos de experimentar botas e afinar skis (depois perceberão!) para a malta toda temos que estar na loja uma hora antes….por isso pessoal…vamos ter que levantar cedo no Sábado.


O plano cumpriu-se: Partimos em direcção à Serra da Estrela ou para a cordilheira central do nosso país, que é também o sistema montanhoso mais importante de Portugal. Na Torre, a 1993 metros de altitude, a Serra da Estrela ocupa uma posição de destaque, constituindo um valor ímpar em termos de património geográfico e geológico de Portugal. Ao mesmo tempo, também a única estância de ski, deste nosso cantinho à beira mar plantado. Pese embora o convívio do grupo, o baptismo do ski para miúdos e graúdos foi a nossa grande motivação. Com esta etapa passada, aguardam-nos as melhores estâncias europeias. Antes de tudo, uma palavra para o local da estadia. Os famosos “chalés” do Hotel Serra da Estrela, já a uns bons 1400 metros de altitude, concebidos para estadas de famílias e grupos, ideais ara nós, portanto! Os chalés de montanha são já uma imagem da região, conciliando de uma forma equilibrada elementos da arquitectura tradicional da Serra da Estrela com as modernas técnicas de construção de casas de montanha, proporcionam conforto e comodidade aos seus ocupantes e são, sem dúvida, à prova de vendavais e de muita neve. Composto por 63 chalés, dos quais 30 são explorados pela Turistrela, este aldeamento situa-se num local que oferece excelente vista sobre a serra, e fica situado a 10 minutos da Estância Vodafone. A noite da chegada, de sexta-feira para sábado, foi marcada por vento anormal e assustador, ainda que quentinhos e aconchegados no interior da cabana. Contudo, a mesma resistência não tiveram os meios mecânicos da tão famosa estância, e muito do material de apoio ao ski ficou destruído.

O dia acordou solarengo, com muito frio e com muita neve. Apesar destas boas condições e de haver muita neve e de ser possível chegar à estância, não se podia fazer ski. A prova de que nem tudo se pode programar, afinal havia mais do que 2 condições. A 3) haver neve e não poder esquiar na mesma! O entusiasmo era muito e a vontade de aprender também, por isso, a opção foi o ski parque de Manteigas, para garantir as aulas de ski e este primeiro contacto com a modalidade. Lá fomos com todos a por em prática as regras ditadas pelo professor Pedro. “Regra número um: não entre em pânico! Em vez de ficar mais tenso, é tempo de relaxar, já que absorver qualquer choque numa superfície mais dura com um músculo tenso é meio caminho andado para o desastre”. O ski parque não é a mesma coisa que a neve verdadeira, mas para os iniciados nestas lides foi do mesmo modo uma boa experiência e garantiu o primeiro contacto com tanto instrumento: botas, battons, skis, etc. e com as dicas principais ...faz força nos joelhos, aperta o pé... A verdade é que os esquiadores estão todos de parabéns e por esse facto tiveram direito a prémios, distribuídos pelas seguintes categorias: “Prémio Revelação”; “Prémio Aprendizagem”; “Prémio do desenrascado”;” Prémio Perseverança” e “Prémio trambolhão”. Mais um motivo de galhofa.

No outro dia, já com as coisas reparadas na estância, outro problema surgiu. Caiu um nevão brutal e as estradas fecharam. Mais uma vez não houve ski! Houve, contudo, o sentimento de estar em plena montanha, com muito frio e com tudo coberto de uma neve branca e fofa. Sendo algo desapontante para todos os que estavam, hora nos chalés, ora no hotel, a aguardar um dia de ski, para as crianças manteve-se a emoção e foi tempo de brincar e de deslizar na neve com pás e com trenós, aproveitando o equipamento a rigor do dia anterior. O fim-de-semana foi, claro, fantástico, como dizem os comentários abaixo, mas quanto a ski soube a pouco. Nesta matéria, a Serra da Estrela ainda é uma aprendiz e as pessoas que a exploram, quanto a mim, ainda não perceberam o fundamental…

Quanto ao grupo, um obrigado a todos, pois foi o nosso entusiasmo (e muita comidinha) que fez a festa. Umas jantaradas valentes na casinha e uns belos copos, onde o champanhe, claro, não faltou, completaram o ramalhete. Foi tempo de voltar a casa (um pouco mais rápido que o esperado, não fosse a malta ter que ficar lá) com uma parada estratégica no Tomas do Canhoso, porque já dizia a minha avó, convidem-me para passear, mas não me façam passar fome. Prometo encontrar outro programa em breve.

Comentários dos participantes:

Bom dia malta. Eu também adorei este fim-de-semana, por mim ia outra vez já no próximo (toda a gente diz que estou com muito bom aspecto). Hoje de manhã assim que acordou a minha filha disse logo “Ó mãe a casinha de madeira era tão gira”. Pois eu gostei de tudo, da neve, do vento, da comida, da casita, mas especialmente da companhia, obrigada por serem nossos amigos (hoje está a dar-me para o sentimento….). Boa semana para todos. PS: O ORGANIZADOR QUE COMEÇE JÁ A MARCAR QUALQUER COISITA …. (amigo se não fores tu a malta não se mexe). CP.

Mais um ENORME sucesso da ORGANIZAÇÃO F. Travel. Na sequência, aliás, do que nos vem habituando. Apenas um reparo: certamente devido a dificuldades informáticas, a informação relativa a este fim-de-semana ainda não está disponível no http://www.trickytraveler.blogspot.com/
O Instrutor de Sky Medalhado. SP

Hoje acordei a pensar o " Quanto Adorei " esta sensação " de Montanha Branca " ( que não conhecia ) e ver a minha M. tão " afoita " e desinibida .E o meu PJ a dominar a sua ansiadade para não cair .........................................................FOI FABULOSO .............................
A pequena ontem qdo estava a ver as fotos a seguir ás condecorações, começou a cantar : - o meu chapéu témm tès bicos ........
MUITO OBRIGADO F. Acabamos por não nos despedirmos, Foi BOM estar convosco beijinhos para todos , boa semana….LB


Foi muito giro…Uma boa semana
Beijos e abraços. MB.

Rescaldo de um dia de neve

Aprendi....que ninguém
é perfeito
mas todos pudemos tentar.
Aprendi....que a
vida é dura
mas eu sou mais que ela!!
Aprendi que...as
oportunidades nunca se perdem
aquelas que
desperdiças... alguém as aproveita
Aprendi que...quando
te importas com rancores e amarguras
a felicidade vai para outra
parte.
Aprendi que...
devemos sempre dar palavras boas...
porque amanhã nunca se sabe
as que temos que ouvir.
Aprendi que não nos devemos zangar definitivamente com
ninguém…volta não volta vamos precisar
de uma ajuda
Aprendi que...um sorriso
é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto.
Aprendi que... não posso
escolher como me sinto...
mas posso sempre fazer
alguma coisa.
Aprendi que...quando
nos damos a uma criança
a temos para toda a vida
Aprendi que...todos
todos querem viver no cimo da montanha...
mas toda a felicidade
está durante a subida.
Aprendi que... temos
que gozar da viagem
e não apenas
pensar na chegada.
Aprendi que...o melhor é
dar conselhos só em duas circunstancias...
quando são pedidos e
quando deles depende a vida.
Aprendi que...quanto
menos tempo se desperdiça...
mais coisas posso fazer.
Aprendi que…não se apregoa amizade…
pratica-se.

No primeiro dia do ano.

Mais um Natal, mais um ano que lá vai e outro que entra. Ontem para comemorar a chegada do recente 2009, lá nos juntamos todos de novo. Um almoço em família e depois um jantar entre amigos. Tudo igual a um qualquer jantar: os convivas de sempre, acepipes vários, um champanhe perfeito e comida, sempre a mais. Fizemos um jantar dos “restos” em nossa casa, depois de uma farra valente no dia anterior na casa do alto. Restos à parte, a emoção foi a mesma. É isto para mim que conta. Esta alegria, a união, o sentido de confiar e de poder contar e a presença de quem realmente importa nestes dias de festa, apesar dos importantes ausentes. Com a certeza de que para o ano estaremos todos juntos de novo, a conVIVER, a partilhar projectos de viagens, a reVIVER outras, a programar jantares e convívios e a contar histórias hilariantes que sempre acontecem. Os convidados vão embora, a calma regressa e tudo fica por arrumar. Não me importo. Respiro fundo e sorrio, ponho tudo de novo no seu lugar ao som de uma música que me ampara e penso efectivamente que a vida só faz sentido quando temos as pessoas certas com quem a partilhar. Estes momentos enchem-nos de harmonia e de paz e dão sentido à nossa existência. Por mais independentes que sejamos, ou que achamos que somos, precisamos sempre da amizade alguém. Votos de um extraordinário 2009 a todos.

A família de verão. São Martinho do Porto

Era verão, o sol estava lá como em todos os verões. O calor que se fazia sentir este ano, naquela pequena vila do Oeste, agora moderna, era mesmo demais. Dizem que é por causa do ozono e das alterações climática. Não acredito muito. O ozono já mais poderia provocar assim tanto calor e as alterações climáticas, enfim, tenho as minhas dúvidas. A família de Lisboa, que todos os anos por cá passa, já havia chegado. Para além do irmão mais velho, que por aqui está muitas vezes, estavam as duas irmãs, este ano mais bonitas e mais sofisticadas. A diferença de idades que no passado existia parecia já não fazer sentido. A mais velha, mais serena, tinha adquirido com o passar do tempo uma pose distinta, quase maior que o mundo. A mais nova, este ano estava fresca, colorida, como se o universo se estivesse a abrir a seus pés. Era uma família normal, equilibrada. Deslocava-se regularmente à praia, como se cada membro soubesse um papel na perfeição e tudo aquilo que devia fazer e quando fazer. Gostava de ver. Facto é, que a sua chegada, a chegada da família de Lisboa, tinha feito animar o verão. O sol, de que falava, parecia agora mais quente, e até o mar mais azul. Tudo estava muito mais colorido. Porquê? Perguntava-me eu? Os dias passavam e eu, do meu lugar de observação, assistia a este desfile de cor e de alegria a cheirar a verão, que queria que nunca mais acabasse ou tivesse fim. À noite vinham todos à rua. As noites quentes moldavam as emoções e o espírito desta família. Os mais velhos, intocáveis, saíam sempre primeiro num traje desportivo refinado, encontravam-se com os amigos “de verão” já de longa data. As manas. Aí as manas! Com estas tudo era diferente. O tempo em casa que demoravam a mais antes de sair, reflectia-se num traje “in” hippie chic, bem à moda da elite lisboeta. A sua luminosidade fazia sorrir a lua e dava graça a sua existência. Deviam ir acabar a noite na Foz, onde por aqui se alegram as noites de verão faz tanto tempo. Foi esta dança de alegria que deu graça a todo aquele mês de Agosto, dia após dia, noite após noite, até chegar aquele dia à tarde. O carro grande escuro que tinha visto chegar nos primeiros dias do mês estava agora de mala aberta e família de que vos conto, hoje não tinha o seu sorriso e luz habitual. Partiram. Para trás, ficou a vila modesta, agora vazia, eu e o fim do verão. Eu perdi o espectáculo colorido que me alegrava os dias, o verão e o sol deixaram de ser tão quentes, o mar tão azul e no céu já se alcançavam algumas nuvens. O que será feito da família de verão? Temos que esperar até ao ano seguinte. Ela nos trará um novo verão, quente, colorido e seguramente sempre divertido.

Andar perdidamente ao sabor do tempo

As férias estão aí. As férias são sinónimo de praia, de mar e de sol. Porque o sol é sempre pouco e sinto que o tenho de aproveitar, explorar, usa-lo até ao último raio. Sinto-me num estado de “banho-maria”, de “stand-by”. Sem grandes sobressaltos, inquietações, ou preocupações. Estou tranquilo e a precisar deste sossego, porque nem sempre é fácil encontrar um ponto de equilíbrio dentro de nós próprios. Aliás, muitas vezes, as maiores batalhas são travadas connosco e não com os outros. Sei que ficam assuntos por resolver, alguns são delicados, mas o não falar deles não os apaga, apenas os esconde. Sei que uma canção traz tanta coisa ao cimo que não era provável. Agora é manter a fé e a esperança, porque o Amor, é o único capaz de vencer qualquer batalha...Há sentimentos que perduram apenas porque são verdadeiros, mas é tempo de não pensar, é tempo de seguir, mesmo que olhando sempre por cima do ombro para não perder o rasto do nosso caminho. Depois de tantas batalhas, encostei todas as armas e estou ao sabor do vento. Que a vida me dê o que ache que seja justo ou que eu merecer. As férias estão aí. As férias estão aí e dentro de dias e eu quero apenas sorrir, não por ninguém mas por mim. Considero a praia dos Carneiros uma das praias mais bonitas do Brasil. Não estive em muitas, mas pelas que vi, assim o digo. A praia dos Carneiros é selvagem e encantadora. É praia de cinema, de propaganda, daquelas com direito a coqueiros na areia que tombam sobre o mar.... é para aí que vou. Este pequeno paraíso está a cinco quilómetros da vila de Tamandaré. Não é fácil lá chegar mas é bonito, calmo e isolado. Na praia não há nada, só a Igreja de São Benedito, também conhecida como a "Igrejinha dos Carneiros". Uma igrejinha centenária na beira-mar, em confronto com as águas escuras do rio Formoso e com as águas cristalinas do oceano Atlântico. Ainda mangueirais que cercam a praia de areias brancas, sem marcas de pegadas, sem despojos humanos, só restos de raízes e troncos de coqueiros que crescem há anos na areia....já me imagino lá. Gosto do acesso, que é difícil, para quem vem de Tamandaré ou de outro lugar qualquer. Será que é por isso que este local está assim bem conservado e continua relativamente pouco frequentado? O melhor acesso a este cenário fantástico, é pela estalagem da Praia dos Carneiros, que fica no alto de uma colina, com uma vista verde e soberba. Para chegar à praia é necessário um transporte todo o terreno e uma lancha. O trajecto pelo estuário do rio até a praia já vale pela belíssima paisagem. Estou de partida. É pois tempo de não ter pressas ou chatices, de por o mundo de lado. Estou assim, e assim quero continuar nos próximos tempos. Sem cobranças ou exigências, sem esforço ou preocupações. Com a certeza de que o destino é o caminho, e que tudo ficará bem. Que o caminho certo é deixar-me andar. Andar perdidamente ao sabor do tempo com a praia por companhia.

Argentina e Chile - A geografia dos grandes lugares


Desde que aterramos em terras do continente sul-americano (Buenos Aires), percorremos mais de 9.000 kms, entre avião, carro e alguns barcos. Em apenas dois países (Argentina e Chile), saltamos dois fusos horários e cruzamos várias zonas climáticas. Viajamos de Buenos Aires ate ao sul do mundo Terra do Fogo (Ushuaia) a uns escassos kms do continente Antárctico, para daí continuar para a Patagónia (Porto Natales e Punta Arenas) terra insólita e incrivelmente solitária. Daí, ainda para o norte do Chile, terminando apenas a 7 km da Bolívia, em pleno altiplano andino, onde o ar e pouco e nos custa a respirar.

Fomos do nível do mar, aos 4.350 metros de altitude, no coração dos Andes Chilenos; dos -8 graus - Inverno puro, aos 35 graus - Verão tropical, obrigando o nosso corpo a alterações constantes e sobretudo a uma diversidade de bagagem indescritível. Do percurso, fica-nos na memoria idêntica diversidade: as grandes massas de gelo, os lagos sem fim, os fiordes que tocam os céus, os vulcões em actividade, os géisers que jorram águas escaldantes das entranhas da terra, os desertos secos, os lugares insólitos e solitários e os espaços imensos que nos custam a classificar.

No sul do mundo, vimos grandes glaciares, mares onde icebergs (têmpanos chamam-lhe por lá) flutuam e onde os leões-marinhos e as focas são efectivamente os reis (mais não seja pela sua adaptação natural a um ambiente tão hostil) e florestas vistosas onde os grandes lagos se misturam com as montanhas nevadas. O caso do Parque Nacional da Terra do Fogo, que mesmo os dias de neve não fizeram perder o encanto. Quanto ao facto de ser efectivamente o "fim do mundo", ficaram-nos algumas dúvidas, já que ainda temos a Antártida por descobrir.

Num salto de gigante, mas que num país tão grande perde significado, encontramo-nos com as belezas patagónicas, numa mistura de estepe e de montanhas, que só o ver nos faz crer. Aqui, os animais do sul, dão o lugar aos milhares de ovelhas e guanacos (uma espécie de Lama do sul) povoando ora as estepes ora o lugar encantado que é o Parque Nacional das Torres del Paine.

Após uma visita curta a capital, Santiago do Chile, rumamos ao grande deserto de Atacama, estabelecendo base em San Pedro de Atacama. Esta é sem duvida a terra do nada, mas que ao mesmo tempo é detentora de uma paisagem única. É o lugar mais seco da terra e ao mesmo tempo o lugar onde o céu nocturno é mais bonito, pelo facto de praticamente não haver humidade no ar, poluição ou mesmo luz eléctrica. Daqui, fica-nos a memória de um espaço enorme, da presença imponente dos Andes e dos flamingos rosas dos lagos de sal do Salar de Atacama. De facto, a geografia dos grandes espaços, tem aqui o seu apogeu.

Depois foi o longo e penoso regresso! Trazemos na nossas memorias um conjunto de recordações que já nos fazem saudades e na bagagem perto de 1000 fotos que nos vão ajudar a não esquecer estes 15 dias que, seguramente, valeram por muito mais. Afinal não é este o gosto de viajar? Fica a promessa de partilhar neste espaço mais alguns relatos desta maravilhosa viagem e algumas fotos, testemunhos, destas paisagens e desta aventura.

Duas horas de liberdade. Paris

Acabo de regressar de Paris, onde fui “em trabalho” como se diz, apesar de ser verdade. O tempo passa, as novidades surgem, e a cada momento surgem novas viagens, novos destinos, encantadores, e cada vez mais exóticos. Contudo, Paris mantêm o seu charme, não passa de moda e mantém-se atractivo para muitos milhões de turistas de todas as partes do mundo, cerca de uma média de 30/35 milhões de visitantes por ano, dizem.

Confesso sem receio que Paris não foi uma das minhas primeiras paixões. Na linha da frente sempre esteve, Barcelona, Nova Iorque, Londres, ou até outras como Buenos Aires. Mas, como dizia, as vontades mudam e o tempo provou-me que, afinal, Paris, é mesmo uma das belas cidades do mundo. Apesar dos seus incontornáveis, a Torre Eiffel, o Museu e as Pirâmides do Louvre, o Arco do triunfo e a Notre Dame, Paris é muito mais. Paris é vida, é multiculturalidade, é uma fonte inesgotável de energia e de inspiração.

Por tudo isto e mesmo indo “em trabalho” gozei de duas horas de liberdade, que me deixaram andar pelo “meu” Paris. Todos nós temos as nossas cidades, e eu tenho o “meu” Paris.

Do largo du Senat (Odeon, perto do Jardim do Luxemburgo) onde sempre fico, sigo em direcção a Rua Bonaparte – Place de Saint Suplice, para uma ida rápida à Maison de la Chine e à Shangai Tang. Um lugar encantador para os amantes do Oriente e uma experiência para os sentidos. Pelo caminho, detenho-me, admirado, num cartaz que transporta o nome nacional. Continuo até ao Boulevard de Saint-Germain de Prés para passar a ponte pedonal sobre o Sena. Paro um pouco para ver os artistas de rua e olho o rio. Percebo agora porque é que lhe chamam a Cidade-luz e como tem sido fácil manter esta mística viva. Com a vista da ponte, reconheço que deve ser uma das capitais mais bonitas da Europa.

Cruzo os Jardins do Louvre, vejo centenas de turistas entusiasmados, apresso o paço para passar o sinal verde na rua do Rivoli. Ao virar da esquina entro na Rue de Saint-Honoré, umas das minhas preferidas do “meu” Paris. Vou à Colette ver as novidades, detenho-me nalgumas montras e paro para um café quente no Café com o mesmo nome da rua. São os locais como este e toda esta atmosfera que, não obstante as muitas centenas de guias e reportagens que têm sido escritas a seu respeito, ainda faz com que valha a pena investir tempo, energia e dinheiro numa nova viagem a Paris. É bom estar aqui!



Pago a bebida e prossigo. A rua de Saint-Honoré é inesgotável de novidades e glamour. Chego à Place de La Concorde e olho para o relógio. As minhas duas horas de liberdade estão a chegar ao fim. Apanho o metro e as novidades sucedem-se a um ritmo eloquente. Um concerto improvisado no subsolo alegra o dia cinzento da rua. Abrando o paço e quando me apercebo, já uns minutos passaram. Momento único de prazer. Dei por mim neste instante, muitos anos depois da minha primeira visita a Paris, fascinado por esta cidade. Apanho o metro para La Defense, entro no Palácio de Congressos e momentos passados, dou por mim já mergulhado na verdadeira razão de ali estar, deixando lá fora, já esquecida, a grande cidade. Voltarei em breve.