Jordânia. Petra para começar.

Se não fosse a má reputação do Oriente Médio no quesito paz, a Jordânia seria o número 1 do turismo. Hoje a capital é Amã, 300 quilómetros ao norte, mas Petra continua a ser o grande tesouro deste país, que mais parece uma pequena peça num gigante e complicado quebra-cabeças. Com apenas 89,2 mil quilómetros quadrados, a Jordânia faz fronteira com a Síria, o Iraque, a Arábia Saudita, Israel e a Cisjordânia. Mas, apesar da vizinhança instável, é um lugar bastante pacífico, onde o rei Abdullah sucessor do rei Hussein, que morreu em 1999, depois de quase 47 anos de poder se empenha em controlar o fundamentalismo islâmico e manter o equilíbrio entre a maioria palestina e as tribos beduínas naturais do país, de 5,5 milhões de habitantes. O povo é muito hospitaleiro e a segurança é total. Ou seja: vida de Indiana Jones, só no cenário. Todo o resto é pacífico. Não é em vão que alguns bares em Wadi Musa, pequena cidade perdida no sul da Jordânia, exibam cartazes do filme Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg. Ali ao lado, a poucos quilómetros, esconde-se um dos cenários mais fascinantes já utilizados pelo director em seus filmes. Encravada no deserto da Jordânia, um país pobre de população beduína, fica a magnífica cidade de Petra, a antiga capital do povo Nebateu, que viveu na região há 2000 anos. A visão de Petra é uma daquelas coisas surpreendentes que guardamos para todo os sempre. Entre penhascos e desfiladeiros espalham-se construções impressionantes de uma cidade que, no seu apogeu, chegou a ter 30000 habitantes. E o mais fantástico é que as principais obras foram esculpidas na própria rocha do deserto. Petra já seria inesquecível apenas por isso mas, para chegar até ao centro, é necessário caminhar pelo estonteante desfiladeiro “Siq”, uma garganta de 1,2 km de extensão e 100 metros de altura, que torna a jornada ainda mais espectacular. Quando menos se espera, surge à nossa frente o monumento mais importante do lugar: o Tesouro. Trata-se de uma fachada em estilo helenístico com 43 metros de altura encravada na rocha. A segunda principal atracção de Petra, não menos interessante, é ainda menos acessível e fica à distância de uma escalada de 900 degraus a partir da praça central, por um trilho de terra e pedra: trata-se do Mosteiro. O esforço vale a pena, mas para os mais comodistas, os beduínos oferecem uma boleia nos táxis locais, uns burricos que, de tanto subir e descer, sabem o caminho de cor e salteado. Quanto a mim, num equilíbrio ainda mais arriscado que na tradicional ida a pé. Mas a história de Petra ainda não chegou ao fim. Depois de um descanso curto no hotel Wadi Musa alinhamos em mais desafio. Uma visita diferente a Petra, à noite! É fantástica e cheia de ambiente. Entramos mais uma vez pela longa e estreita garganta do Siq, desta vez iluminada apenas pela luz das velas e sonoramente enquadrada pelo silêncio só tocado pelos passos da caravana. Até que se desvenda à nossa frente de novo o Tesouro, o tal segredo que durante séculos estive muito bem guardado, agora num átrio iluminado por 1500 velas e emoldurado por música beduína e por chá de ervas. Deixamos Petra cedo pela manhã e seguimos para o deserto de Wadi Rum, para mais uma aventura, agora de jipe para conhecer os seus locais mais encantadores. Prometo continuar a história.

O Cozinheiro, o Ladrão, a sua Mulher, o Amante, o Engenheiro, as criadas de Mesa, a prima da China e muitos mais.


Trailer de uma festa em Arruda. Será Carnaval, ficção ou realidade?

Prologo
O Ladrão janta todas as noites solenemente na sala em companhia de seus capangas e da esposa. Pomposamente servidos pelas criadas sexy, comem fartamente os menus do chefe francês que sorrateiramente se desloca ao Good Grill para garantir tanto alimento.
Cansada dos modos violentos e grosseiros do marido, a esposa dá umas voltas à socapa com um solitário frequentador da casa, o engenheiro. Com a cumplicidade do chefe de cozinha francês, os dois amantes prosseguem as brincadeiras às escondidas pelos cantos da casa, onde nem a despensa escapa.
No entretanto, o Ladrão devora prato após prato na sua grande mesa, aparentemente focado na comida. De soslaio, pisca o olho à criada sexy com quem tem um caso as escondidas, na casa da lenha. Porém, quando descobre a traição da esposa, desfecha uma cruel vingança contra o engenheiro, que por sua vez será vingado pela Mulher tudo na noite de Carnaval e com a casa cheia de convidados. Nenhum contava porem com o olhar atento da prima da China, que pronta a por a boca no trombone troca a preciosa informação por uma malinha Burberry outros regalos de idêntico teor.
Trailer
Tudo parecia tão calmo na casa de Arruda. Na verdade, todos sabíamos que esta seria uma noite especial. Vinham as primas do oriente e muitos convidados. Como seria esta convivência? Conseguiriam eles manter as aparências no meio de tanta atribulação?
Na sequência inicial, cortinas abrem-se e num cenário ao ar livre desenrola-se uma cena de requintada elegância. O champanhe e o gin são servidos no alpendre à medida que os convidados chegam. O Ladrão apresenta-se a rigor tal como a mulher e de forma solene cumprimentam os convidados.
A seguir a câmara dirige-se para o interior da cozinha. As imagens da cozinha mostradas pela câmara são deslumbrantes. Os alimentos (carnes, aves, peixes, verduras, etc.) são revelados com todo vigor e exuberância de cores e formas, tendo como fundo musical sons e ruídos dos cortes e panelas fumegantes. A preparação dos molhos merece enquadramento especial. Nesse ambiente simples e esfumaçado, artistas e artesãos se esmeram na magia da transformação dos materiais elaborados pela natureza em obras de arte, com as orientações a rigor do “Chef”, cujo destino poderá ser a satisfação do prazer gustativo ou apenas servir para saciar a fome.
Chegam as primas da china e da índia, lindas de morrer! Cada vez mais belas, as primas mostram-se no seu esplendor, colorias e alegres, prontas para mais uma noite de folia. Chega o Pirata e a Abelha, e mais convidados de renome.
A passagem da cozinha à sala é apoteótica. A câmara desloca-se e um fundo musical anuncia a mudança de uma forma de ordenamento à outra. Na sala o ar solene, a decoração artificial, o alinhamento simétrico dos móveis e a cobertura macia das mesas, a disposição rígida de pratos e talheres, o brilho e a transparência dos cristais. Ainda no semblante dos convivas, a ansiedade da fome ou até o sossego pela graça alcançada e pelo prazer e simpatia do convite.
O jantar vai ser servido. À table! Grita o chefe francês enrolando o seu bigode!
A mesa está linda e as entradas parecem divinais. Os olhos do Ladrão e dono da casa brilham com tanta comida e com os rabos das criadas que rodopiam à volta da mesa prontas para todos servir. Todos começam a comer. O fluxo entre a sala e a cozinha é imparável! Comida e mais comida e mais comida.
Este enredo tem como fio condutor a inusitada paixão da Mulher por um amigo da casa, engenheiro de profissão gourmet nos tempos livres. Os dois, com a cumplicidade apaixonada do cozinheiro, transformam a cozinha e a despensa da “Casa do Alto” no local para os seus encontros amorosos. Tudo se faz às barbas do brutamontes Ladrão, que pouco a pouco passa a desconfiar das constantes e inexplicáveis fugas de sua mulher à Toilette.
Ao mesmo tempo e enquanto as primas da China e da Índia se deleitam com os manjares da casa do Alto, com os acepipes do chefe e até com o chefe, a mulher sai de fininho com destino à toilette. De forma discreta o engenheiro também sai. Vai ao terraço e fuma um cigarro. Tal como o fumo, esfuma-se e a porta da dispensa fecha-se. As cenas de amor entre e sobre os alimentos frescos ou defumados são sensuais, picantes e temerárias. O clima de suspenso, ao estilo hitchcockiano, pelo temor e risco do flagrante, cerca todos os encontros dos amantes, sem, no entanto, inibir o calor da paixão. A fuga dos amantes entre alimentos alucina e nauseia. Cai o arroz os chouriços e as couves da avó Petta (que não veio pois não gosta nada de carnavais! Ao convite disse “…ó filho, isto a minha vida é que é um Carnaval com tanto animal para tratar”).
O ladrão dá um arroto e pede licença para se ausentar. A caminho da cozinha foge com a criada sexy para a casa da lenha e entre os toros sujos e o latir do cão tudo acontece.
Aos poucos todos regressam e tudo volta a normalidade na sala e o cheesekake é servido. Magnifico como sempre o contraste entre o doce vermelho e branco do queijo reabre os apetites. Os convivas babam-se, e a prima da China come mais uma fatia avantajada.
O jantar prossegue com os chás importados e os cafés quenianos do costume, os whiskies e os conhaques. A sala enche-se de fumos dos “cigars” e o ambiente carrega-se de boémia. A música começa a animar com o cozinheiro a fazer uma perninha de DJ. A Daniela canta o “feijão com arroz” e o Ricky Martin grita “uno, dos, três, Maria….”. Todos saltam e dançam ao sabor da música tocados por tanto champanhe e vinho de Arruda, o “mono caixa” do costume.
O álcool faz os seus efeitos e, discretamente, não resistindo a sedução das ancas, a mulher pisca o olho ao engenheiro para mais uma fuga à dispensa. Cada um na sua vez e sempre discretamente, o amor acende-se na dispensa, agora já quase sem espaço entre garrafas vazias e caixas de alumínio do Good Grill já sujas escondidas pelo “chef” para que ninguém saiba que afinal o cardápio com as mais diversas iguarias - Canard à l’orange (Pato com laranja); Le coq au vin (Galo ao vinho); Salade de langoustine (salada de lagostim); Terrine de caneton (patê de pato); Sauce hollandaise (Molho holandês); Abacate ao vinagrete e camarões – foi tudo importado da rua de baixo.
A câmara abandona este amor carnal e move-se para a sala de novo, o centro da festa onde a animação prossegue. As primas da índia saltam de contentes e a prima da china não lhe fica a atrás. Com tanto salto e tanto cheesecake, dá-lhe a voltareta e toca de ir à toilette. Tanto gin e tanto champanhe deram-lhe volta a cabeça e os caminhos confundem-se. Perante o olhar desatento do cozinheiro, supostamente de guarda à sua dispensa, a prima da China troca a porta e entra na dispensa deparando-se com o acto. Fecha a porta apressada e volta a abrir para confirmar…era mesmo o engenheiro com a dona da casa! Volta atordoada para a sala e quase se esquece dos seus intestinos. Mas cheesecake não lhe perdoa e fá-la correr agora sim para a porta certa da toilette.
Quando volta finalmente à sala, já o engenheiro e a mulher davam saltos com a Anastácia, que insistentemente gritava “Hey, Hey, Hey, was Left Outside Alone”. A prima ausenta-se para a biblioteca e senta-se aturdida pelo acontecimento e pelo esforço intestinal.
O cenário muda e no meio de tanto acontecimento ninguém deu por falta do Ladrão dono da casa e de umas das criadas sexy. Voltamos à casa da lenha onde o whisky já faz estragos, perante o olhar arregalado do Cookie, o cão da família, mais um acto se consome, apesar das banhas e do estômago cheio de comida do Ladrão. O esforço estonteie-o e, enquanto a cridas sexy volta para a cozinha para os seus afazeres, o Ladrão refugia-se na biblioteca para uns cinco minutos de relax. No escuro encontra a prima da China, que num sorriso sarcástico lhe pergunta se tudo está bem. A ironia da prima fá-lo desconfiar e tirando nabos da púcara confirma a traição da mulher, isto sem antes ser obrigado a ceder uma malinha Burberry e outros regalos de idêntico teor em troca de tão preciosa informação.
Volta à sala como se nada fosse, mas com o seu suor a transpirar vingança e raiva pela maldade da mulher e do engenheiro. A vingança urdida pelo traído Ladrão é brutal e insólita. Após localizar o refúgio dos amantes, a despensa da Casa do Alto, e procurando um momento de distracção dos convidados, assassina o amante por asfixia e ingestão forçada das couves e dos nabos da Achada, e dos restos das pernas de pato e dos cogumelos. Ninguém dá por nada! Só o cozinheiro, fiel dono da dispensa…se deparar com tamanha atrocidade horas depois e disto dá conta à mulher dona da casa.
A vingança de mulher, por sua vez, não é menos estranha. Enquanto todos se divertem madrugada dentro, convence o cozinheiro a usar em toda plenitude o requinte de sua arte, assando o amante por inteiro e, num ritual de antropofagia e vingança, serve seu corpo ao marido no almoço do dia seguinte.

Epilogo
Assim termina mais uma festa na Casa do Alto onde a alegria da festa e gastronomia são sobejamente realçadas. Com sua natureza trágica e irrecorrível, o dilema da vingança é contemplado no acto de comer quando dona da casa ao almoço afirma: “...comer coisas pretas é como se comesse a morte… as azeitonas são pretas”, perante o olhar agoniado das primas do oriente ainda a recompor a compostura da noite anterior, mas sem nada perceberem. Foi efectivamente uma noite especial, onde quem saiu a lucrar foi a prima da china, pois no meio de tanta tragédia, a malinha Burberry já ninguém lhe tira.

The END

O meu país inventado


“Há uma certa frescura e inocência nas pessoas que permanecem sempre no mesmo local e contam com testemunhos da sua passagem pelo mundo. Em troca, aqueles de nós que partimos, muitas vezes desenvolvemos por necessidade uma couraça mais dura. Como carecemos de raízes e de testemunhos do passado, temos de confiar na memória para dar continuidade às nossas vidas; mas a memória é sempre confusa, não podemos confiar nela. Os acontecimentos do meu passado não têm contornos precisos, estão esfumados, como se a minha vida tivesse sido uma simples sucessão de ilusões, de imagens fugazes, de assuntos que não compreendo ou que compreendo só em parte. Não tenho certezas de espécie nenhuma. “

de O meu país inventado. Isabel Allende

Fim-de-semana Serra da Estrela (23 a 25 de Janeiro)

Este é um relato de um Fim-de-semana Serra da Estrela (23 a 25 de Janeiro) que, atento aos comentários, foi um sucesso. Porque tudo foi programado com tempo…aqui ficam os momentos antes da partida, as histórias dos dois dias de actividades e os comentários dos participantes.

Antes da partida: O Inverno chegou! Esqueçam as praias tropicais, às águas “calientes” de Formentera e de outras maravilhas afins, é tempo de falar de NEVE! Prometido é devido e o plano está posto em prática. Pois bem o plano é partir em grupo para a Serra da Estrela para um fim-de-semana de montanha e de se tudo correr bem, de neve. Mas nem tudo são rosas! 1) Se não houver neve, paciência! Comemos queijo da serra e requeijão com doce de abóbora e aborrecemo-nos uns aos outros. Temos muita experiência; 2) Se houver neve e conseguirmos chegar lá acima, está então previsto o baptismo no ski para os mais afoitos. De manhã aluguer de material e uma sessão de aulas para os esquiadores principiantes (de duas horas). Á tarde, tempo livre para usar e abusar das pistas aplicando, pois bem, os conhecimentos da manhã. Aviso à navegação: às aulas têm início às 10h. Como temos de experimentar botas e afinar skis (depois perceberão!) para a malta toda temos que estar na loja uma hora antes….por isso pessoal…vamos ter que levantar cedo no Sábado.


O plano cumpriu-se: Partimos em direcção à Serra da Estrela ou para a cordilheira central do nosso país, que é também o sistema montanhoso mais importante de Portugal. Na Torre, a 1993 metros de altitude, a Serra da Estrela ocupa uma posição de destaque, constituindo um valor ímpar em termos de património geográfico e geológico de Portugal. Ao mesmo tempo, também a única estância de ski, deste nosso cantinho à beira mar plantado. Pese embora o convívio do grupo, o baptismo do ski para miúdos e graúdos foi a nossa grande motivação. Com esta etapa passada, aguardam-nos as melhores estâncias europeias. Antes de tudo, uma palavra para o local da estadia. Os famosos “chalés” do Hotel Serra da Estrela, já a uns bons 1400 metros de altitude, concebidos para estadas de famílias e grupos, ideais ara nós, portanto! Os chalés de montanha são já uma imagem da região, conciliando de uma forma equilibrada elementos da arquitectura tradicional da Serra da Estrela com as modernas técnicas de construção de casas de montanha, proporcionam conforto e comodidade aos seus ocupantes e são, sem dúvida, à prova de vendavais e de muita neve. Composto por 63 chalés, dos quais 30 são explorados pela Turistrela, este aldeamento situa-se num local que oferece excelente vista sobre a serra, e fica situado a 10 minutos da Estância Vodafone. A noite da chegada, de sexta-feira para sábado, foi marcada por vento anormal e assustador, ainda que quentinhos e aconchegados no interior da cabana. Contudo, a mesma resistência não tiveram os meios mecânicos da tão famosa estância, e muito do material de apoio ao ski ficou destruído.

O dia acordou solarengo, com muito frio e com muita neve. Apesar destas boas condições e de haver muita neve e de ser possível chegar à estância, não se podia fazer ski. A prova de que nem tudo se pode programar, afinal havia mais do que 2 condições. A 3) haver neve e não poder esquiar na mesma! O entusiasmo era muito e a vontade de aprender também, por isso, a opção foi o ski parque de Manteigas, para garantir as aulas de ski e este primeiro contacto com a modalidade. Lá fomos com todos a por em prática as regras ditadas pelo professor Pedro. “Regra número um: não entre em pânico! Em vez de ficar mais tenso, é tempo de relaxar, já que absorver qualquer choque numa superfície mais dura com um músculo tenso é meio caminho andado para o desastre”. O ski parque não é a mesma coisa que a neve verdadeira, mas para os iniciados nestas lides foi do mesmo modo uma boa experiência e garantiu o primeiro contacto com tanto instrumento: botas, battons, skis, etc. e com as dicas principais ...faz força nos joelhos, aperta o pé... A verdade é que os esquiadores estão todos de parabéns e por esse facto tiveram direito a prémios, distribuídos pelas seguintes categorias: “Prémio Revelação”; “Prémio Aprendizagem”; “Prémio do desenrascado”;” Prémio Perseverança” e “Prémio trambolhão”. Mais um motivo de galhofa.

No outro dia, já com as coisas reparadas na estância, outro problema surgiu. Caiu um nevão brutal e as estradas fecharam. Mais uma vez não houve ski! Houve, contudo, o sentimento de estar em plena montanha, com muito frio e com tudo coberto de uma neve branca e fofa. Sendo algo desapontante para todos os que estavam, hora nos chalés, ora no hotel, a aguardar um dia de ski, para as crianças manteve-se a emoção e foi tempo de brincar e de deslizar na neve com pás e com trenós, aproveitando o equipamento a rigor do dia anterior. O fim-de-semana foi, claro, fantástico, como dizem os comentários abaixo, mas quanto a ski soube a pouco. Nesta matéria, a Serra da Estrela ainda é uma aprendiz e as pessoas que a exploram, quanto a mim, ainda não perceberam o fundamental…

Quanto ao grupo, um obrigado a todos, pois foi o nosso entusiasmo (e muita comidinha) que fez a festa. Umas jantaradas valentes na casinha e uns belos copos, onde o champanhe, claro, não faltou, completaram o ramalhete. Foi tempo de voltar a casa (um pouco mais rápido que o esperado, não fosse a malta ter que ficar lá) com uma parada estratégica no Tomas do Canhoso, porque já dizia a minha avó, convidem-me para passear, mas não me façam passar fome. Prometo encontrar outro programa em breve.

Comentários dos participantes:

Bom dia malta. Eu também adorei este fim-de-semana, por mim ia outra vez já no próximo (toda a gente diz que estou com muito bom aspecto). Hoje de manhã assim que acordou a minha filha disse logo “Ó mãe a casinha de madeira era tão gira”. Pois eu gostei de tudo, da neve, do vento, da comida, da casita, mas especialmente da companhia, obrigada por serem nossos amigos (hoje está a dar-me para o sentimento….). Boa semana para todos. PS: O ORGANIZADOR QUE COMEÇE JÁ A MARCAR QUALQUER COISITA …. (amigo se não fores tu a malta não se mexe). CP.

Mais um ENORME sucesso da ORGANIZAÇÃO F. Travel. Na sequência, aliás, do que nos vem habituando. Apenas um reparo: certamente devido a dificuldades informáticas, a informação relativa a este fim-de-semana ainda não está disponível no http://www.trickytraveler.blogspot.com/
O Instrutor de Sky Medalhado. SP

Hoje acordei a pensar o " Quanto Adorei " esta sensação " de Montanha Branca " ( que não conhecia ) e ver a minha M. tão " afoita " e desinibida .E o meu PJ a dominar a sua ansiadade para não cair .........................................................FOI FABULOSO .............................
A pequena ontem qdo estava a ver as fotos a seguir ás condecorações, começou a cantar : - o meu chapéu témm tès bicos ........
MUITO OBRIGADO F. Acabamos por não nos despedirmos, Foi BOM estar convosco beijinhos para todos , boa semana….LB


Foi muito giro…Uma boa semana
Beijos e abraços. MB.

Rescaldo de um dia de neve

Aprendi....que ninguém
é perfeito
mas todos pudemos tentar.
Aprendi....que a
vida é dura
mas eu sou mais que ela!!
Aprendi que...as
oportunidades nunca se perdem
aquelas que
desperdiças... alguém as aproveita
Aprendi que...quando
te importas com rancores e amarguras
a felicidade vai para outra
parte.
Aprendi que...
devemos sempre dar palavras boas...
porque amanhã nunca se sabe
as que temos que ouvir.
Aprendi que não nos devemos zangar definitivamente com
ninguém…volta não volta vamos precisar
de uma ajuda
Aprendi que...um sorriso
é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto.
Aprendi que... não posso
escolher como me sinto...
mas posso sempre fazer
alguma coisa.
Aprendi que...quando
nos damos a uma criança
a temos para toda a vida
Aprendi que...todos
todos querem viver no cimo da montanha...
mas toda a felicidade
está durante a subida.
Aprendi que... temos
que gozar da viagem
e não apenas
pensar na chegada.
Aprendi que...o melhor é
dar conselhos só em duas circunstancias...
quando são pedidos e
quando deles depende a vida.
Aprendi que...quanto
menos tempo se desperdiça...
mais coisas posso fazer.
Aprendi que…não se apregoa amizade…
pratica-se.

No primeiro dia do ano.

Mais um Natal, mais um ano que lá vai e outro que entra. Ontem para comemorar a chegada do recente 2009, lá nos juntamos todos de novo. Um almoço em família e depois um jantar entre amigos. Tudo igual a um qualquer jantar: os convivas de sempre, acepipes vários, um champanhe perfeito e comida, sempre a mais. Fizemos um jantar dos “restos” em nossa casa, depois de uma farra valente no dia anterior na casa do alto. Restos à parte, a emoção foi a mesma. É isto para mim que conta. Esta alegria, a união, o sentido de confiar e de poder contar e a presença de quem realmente importa nestes dias de festa, apesar dos importantes ausentes. Com a certeza de que para o ano estaremos todos juntos de novo, a conVIVER, a partilhar projectos de viagens, a reVIVER outras, a programar jantares e convívios e a contar histórias hilariantes que sempre acontecem. Os convidados vão embora, a calma regressa e tudo fica por arrumar. Não me importo. Respiro fundo e sorrio, ponho tudo de novo no seu lugar ao som de uma música que me ampara e penso efectivamente que a vida só faz sentido quando temos as pessoas certas com quem a partilhar. Estes momentos enchem-nos de harmonia e de paz e dão sentido à nossa existência. Por mais independentes que sejamos, ou que achamos que somos, precisamos sempre da amizade alguém. Votos de um extraordinário 2009 a todos.

A família de verão. São Martinho do Porto

Era verão, o sol estava lá como em todos os verões. O calor que se fazia sentir este ano, naquela pequena vila do Oeste, agora moderna, era mesmo demais. Dizem que é por causa do ozono e das alterações climática. Não acredito muito. O ozono já mais poderia provocar assim tanto calor e as alterações climáticas, enfim, tenho as minhas dúvidas. A família de Lisboa, que todos os anos por cá passa, já havia chegado. Para além do irmão mais velho, que por aqui está muitas vezes, estavam as duas irmãs, este ano mais bonitas e mais sofisticadas. A diferença de idades que no passado existia parecia já não fazer sentido. A mais velha, mais serena, tinha adquirido com o passar do tempo uma pose distinta, quase maior que o mundo. A mais nova, este ano estava fresca, colorida, como se o universo se estivesse a abrir a seus pés. Era uma família normal, equilibrada. Deslocava-se regularmente à praia, como se cada membro soubesse um papel na perfeição e tudo aquilo que devia fazer e quando fazer. Gostava de ver. Facto é, que a sua chegada, a chegada da família de Lisboa, tinha feito animar o verão. O sol, de que falava, parecia agora mais quente, e até o mar mais azul. Tudo estava muito mais colorido. Porquê? Perguntava-me eu? Os dias passavam e eu, do meu lugar de observação, assistia a este desfile de cor e de alegria a cheirar a verão, que queria que nunca mais acabasse ou tivesse fim. À noite vinham todos à rua. As noites quentes moldavam as emoções e o espírito desta família. Os mais velhos, intocáveis, saíam sempre primeiro num traje desportivo refinado, encontravam-se com os amigos “de verão” já de longa data. As manas. Aí as manas! Com estas tudo era diferente. O tempo em casa que demoravam a mais antes de sair, reflectia-se num traje “in” hippie chic, bem à moda da elite lisboeta. A sua luminosidade fazia sorrir a lua e dava graça a sua existência. Deviam ir acabar a noite na Foz, onde por aqui se alegram as noites de verão faz tanto tempo. Foi esta dança de alegria que deu graça a todo aquele mês de Agosto, dia após dia, noite após noite, até chegar aquele dia à tarde. O carro grande escuro que tinha visto chegar nos primeiros dias do mês estava agora de mala aberta e família de que vos conto, hoje não tinha o seu sorriso e luz habitual. Partiram. Para trás, ficou a vila modesta, agora vazia, eu e o fim do verão. Eu perdi o espectáculo colorido que me alegrava os dias, o verão e o sol deixaram de ser tão quentes, o mar tão azul e no céu já se alcançavam algumas nuvens. O que será feito da família de verão? Temos que esperar até ao ano seguinte. Ela nos trará um novo verão, quente, colorido e seguramente sempre divertido.